Estudo prevê que podem faltar leitos de UTI no ES a partir de maio

Um estudo feito por oito pesquisadores da Escola de Engenharia e da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostra que deve faltar leitos no Brasil para pacientes com Covid-19. A estimativa é que no Espírito Santo isso possa acontecer no mês de maio. Em contrapartida, o governo estima dobrar o número de leitos para coronavírus até o final deste mês e continuar aumentando as vagas em junho e julho. 

O estudo vem sendo aplicado a cenários otimistas, moderados e pessimistas, que variam no percentual da população com casos confirmados de Covid-19. Quanto mais pessimista o cenário previsto, mais cedo ocorreria o esgotamento dos leitos do Sistema de Saúde.

Além disso, a pesquisa  usa como base o número de leitos divulgados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde, até o mês de fevereiro. Nesse cadastro, o Estado estaria com 5.338 leitos, sendo 3.568 leitos do SUS e 1.770 leitos particulares. Destes, 716 são leitos de UTI, sendo que estariam 177 destinados a Covid-19. 

No cenário mais otimista no Espírito Santo foi estimada a infecção de 0,1% (4.018) da população. Nele, não faltariam leitos, o número máximo de casos da Covid-19 iria ocorrer no dia 27 de abril e poderia chegar  a 131 casos nesse dia.

No cenário moderado, em que 1% (40.186) da população fosse infectada pelo novo coronavírus, os leitos de UTI começariam a faltar no dia 7 de maio e isso se estenderia por 55 dias. Haveria um deficit máximo de 653 leitos de UTI, mas não faltariam leitos gerais. Nesse cenário, o Estado atingiria no dia 19 de maio o número máximo de casos, podendo chegar no dia a 1.308 pessoas.

Neste sábado (25), em entrevista coletiva por videoconferência, o governador Renato Casagrande informou que, até o final deste mês de abril, o Espírito Santo deve contar com 813 leitos exclusivos para o atendimento de pacientes confirmados com o novo coronavírus – número que é mais que o dobro dos leitos existentes até este sábado.

No cenário mais pessimista em que 12% (482.238) da população seria infectada pelo novo coronavírus, os leitos de UTI começariam a faltar no dia 6 de maio e isso se estenderia por 97 dias. Já os leitos gerais começariam a faltar no dia 14 de maio e o Estado ficaria por 67 dias com esse deficit. Nesse cenário, o Estado atingiria no dia 7 de junho o número máximo de casos, podendo chegar no dia a 15.704 pessoas.

COMO FOI FEITO

A simulação de cenário é feita com base em diversas premissas. Entre elas, no número de casos confirmados, quantidade de idosos, quantidade de dias que se leva para dobrar o número de casas dependendo do cenário, a porcentagem do crescimento médio diário, a porcentagem de infectados testados e confirmados, porcentagem de pacientes em leitos de UTI que irão a óbito.

O modelo permite aos gestores estaduais e do Distrito Federal a projeção diária atualizada da estimativa de ruptura do sistema ─ em termos de ocupação de leitos ─, bem como a necessidade de construção de novas unidades. Isso porque ele dá a possibilidade de atualização da planilha, as projeções foram feitas com informações divulgadas até o dia 22 de abril.

O QUE DIZ A SESA 

Procurada, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) esclarece que, desde o início dos casos de Covid-19 no Brasil, começou a preparar a rede de saúde do Espírito Santo para enfrentamento da doença, seguindo orientações do Ministério da Saúde. A expansão de leitos é uma das principais medidas, para isso, perfis de hospitais estaduais foram redefinidos e adequações físicas têm permitido a abertura de novos leitos de UTI e enfermaria na rede de hospitais de referência. 

Até o início de maio, 440 leitos de UTI e mais 380 de enfermaria, exclusivamente para pacientes acometidos pela Covid-19 serão abertos. Até junho, a rede poderá contar com mil leitos, contando com hospitais filantrópicos e compra em hospitais privados; podendo chegar a 1.500 até julho. A instalação de hospital de campanha também faz parte do projeto de expansão de leitos, como alternativa para desafogar as UTIs das unidades hospitalares. 

Atualmente, há disponível para atendimento imediato para pacientes acometidos pela Covid-19: 161 leitos de UTI e 173 leitos de enfermaria. A plataforma do governo do Estado sobre dados de coronavírus mostra que das vagas disponíveis, 112 (69,81%) leitos de UTI  e 81 (45,50%) leitos de enfermaria  estavam ocupados até o dia 23 de abril. 

Fonte: Gazeta Online

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