Guarapari vai limitar número de hóspedes nas casas de veraneio

A cultura das casas de aluguel que recebem até 90 hóspedes em um único imóvel pode estar com os dias contados. É que, com a nova regulamentação que está prevista para ser publicada pela Prefeitura de Guarapari nesta quarta-feira (16), os imóveis terão um limite de hóspedes, de acordo com a quantidade de quartos disponíveis.

Guarapari vai limitar número de hóspedes nas casas de veraneio | Tribuna Online Os estudos, realizados por membros do Conselho Municipal de Turismo, determinam três hóspedes para cada quarto. As casas devem ser cadastradas para receberem turistas de ônibus de excursão.

“As casas vão receber os turistas de acordo com o cadastro realizado junto à prefeitura. Os ônibus ou vans só poderão entrar na cidade com o endereço das casas cadastradas”, explica Gustavo Guimarães, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis.

“A prefeitura vai saber quantos quartos tem a casa, e se poderá receber todos os visitantes no mesmo lugar, de acordo com a quantidade de quartos”, acrescenta.

“Além das medidas de prevenção, isso é muito importante para o ordenamento da cidade, porque a gente sonha em ver uma cidade ordenada. Podemos perder em termos de quantidade de turistas, mas teremos uma qualidade no turismo. Os moradores também sofrem com a desordem, as filas”.

Um verão diferente em Guarapari

A casa que antes recebia 50 pessoas por final de semana, agora tem somente um casal. Os apartamentos de aluguel ainda estão vazios. Nas pousadas e hotéis, reservas são a passos lentos e sobram vagas para o verão, que começa em oito dias.

Essa é uma realidade bem diferente dos anos anteriores em Guarapari, quando, neste período, a hospedagem já tinha lista de espera.

“Nunca tinha vivido uma situação dessa, em 20 anos no ramo de casas de aluguel. O Réveillon ainda está em aberto, porque os turistas estão com medo de comprar passagem e, depois, não se divertirem nas praias, por conta das restrições provocadas pela pandemia”, conta a proprietária de casa de aluguel Ivone Derci Alves.

Também proprietária de imóveis para alugar, Luiza Pavesi Piumbini completa: “Durante o ano, já perdemos muitos alugueis. Devolvemos dinheiro. Agora, os turistas estão com medo de fecharem as praias e de não se divertirem como antes”.

Para Luiza, que aluga casas há 38 anos, o importante agora é a imunização contra a Covid-19. “O governo precisa investir na vacina, para que possamos voltar ao normal”, opinou.

Mesmo com a baixa ocupação, o empresário Gustavo Guimarães, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) no Estado, destaca que, devido ao atual cenário de pandemia, não é momento para superlotações.

Para o empresário, uma ocupação desenfreada pode assustar o turista e aumentar a contaminação pelo vírus na cidade.

“A hotelaria em Guarapari tem um aumento de 10% a 15% na contratação de mão de obra para o verão, mas este ano isso não aconteceu. Não vai ter demissão porque a maioria dos hotéis está usando a medida provisória, que virou lei, e flexibilizou a suspensão dos contratos de trabalho. Mas a incerteza para nós é grande”.

Guimarães revela que, para o verão, tem vagas na rede hoteleira todos os dias. “Em tempos passados, nesta data, até o dia 10 de janeiro, a ocupação de 80% já estava certa. De fato, será um verão diferente”.

Devido à pandemia, a tradicional praia coberta de tendas enfeitadas na areia à espera dos fogos da virada do ano não será uma realidade em Guarapari e os shows gratuitos que aconteciam na Praia do Morro também foram suspensos.

Prevenção à Covid

A comerciante Nívia Cristina, de 34 anos, o marido Fábio Marcelino, 39, e os filhos Gabriel, 9, e Ísis Maria, 4, são de Lagoa da Prata (MG), e estão em Guarapari pela primeira vez neste final de semana. A família veio de excursão e se hospedou em pousada na Praia do Morro.

“Resolvemos sair um pouco dessa confusão de pandemia na nossa cidade para poder respirar ar puro em Guarapari. As praias são muito bonitas e, realmente, a natureza encanta. Estamos tranquilos, porque vimos que as pessoas estão preocupadas com máscaras, álcool em gel e o distanciamento”, disse Nívia.

Fonte: Tribuna Online