Médicos orientam como evitar contágio de crianças e adolescentes por Covid

Médicos orientam como evitar contágio de crianças e adolescentes por Covid

Os efeitos da Covid-19 tendem a ser mais graves conforme o avanço da idade, especialmente no caso dos idosos, mas a doença também atinge crianças e adolescentes. Segundo dados da Secretaria de Saúde (Sesa),  19.042 casos de menores de idade infectados pelo coronavírus foram registrados no Espírito Santo, até a tarde de quinta-feira (7). Desse total,  24 perderam a vida.

Os médicos alertam que, mesmo nos casos em que a criança ou o adolescente passa pelo período de contaminação sem grandes complicações – já que muitos são assintomáticos –, os cuidados para proteger os mais novos devem ser redobrados. Isso porque, além do risco de adoecerem, eles podem ser vetores de transmissão para pessoas do grupo de risco, mais suscetíveis a desenvolverem a forma grave da doença. 

O entendimento sobre os risco da pandemia evolui de acordo com a faixa etária, mas, a esta altura, é quase certo que a criança já tenha captado alguma informação sobre o assunto. Para facilitar o diálogo, o governo federal lançou uma cartilha com dicas sobre como falar do coronavírus com as crianças. Entre elas estão:

  • De forma simples, explique que o coronavírus é uma nova doença, parecida com uma gripe. E que, para não ficar doente, é necessário lavar bem as mãos com água e sabão, usar álcool em gel para ficar bem limpinho, usar máscara e se alimentar bem;
  • Explique que, por enquanto, é preciso evitar abraços e beijos. Assim como não se deve tocar olhos, rosto, boca e nariz sem antes limpar bem as mãos;
  • Deixe a própria criança falar sobre o assunto para se certificar que ela entende a necessidade de adotar cuidados como forma de prevenção. Complemente com informações que achar necessárias;
  • Não é necessário fazer medo nas crianças falando sobre número de mortes provocadas pela doença;
  • Se a criança demonstrar medo, diga que é natural se sentir assim, mas que não precisa se preocupar, porque todos vão ficar bem e seguros tomando os cuidados necessários. Reforce que, se surgirem dúvidas, ela poderá tirar com a família.

DICAS DE PROTEÇÃO

0 A 2 ANOS

A pediatra intensivista Tânia Perim reforça que o diálogo precisa ser claro e transparente e pode ser adaptado de acordo com a idade. Para crianças muito novas, vale até explicar o vírus como um tipo de sujeira invisível que é eliminada ao lavar bem as mãos.

A médica destaca que o uso de máscara não é recomendado para crianças com idade inferior a dois anos, então, além da higiene, cabe ao adulto tomar a maioria dos cuidados.

“A criança é protegida no momento em que os adultos não levam o vírus para casa ou não expõem essa criança a locais com maior chance de contaminação. E como fazer isso? Evitando aglomerações, evitando levar a criança à praia em momentos de tumulto, evitando levar ao supermercado, entre outras situações”, exemplifica a pediatra.

Tânia observa, por exemplo, que, eventualmente, as crianças vão precisar voltar para a creche ou escola, mas, para isso, serão adotados diversos protocolos de segurança pelas instituições. Essa mesma atenção deve vir da família, uma vez que a prevenção contra a doença não deve ocorrer somente em situações isoladas.

3 A 5 ANOS

Nesta faixa etária, as crianças já podem usar máscaras, mas os demais cuidados permanecem. A recomendação é para que a família reforce as informações sobre higiene constantemente, ainda que que já tenha explicado anteriormente, e se atente aos espaços que a criança frequenta, as pessoas com quem tem contato.

“A criança tem que ir passear, se divertir um pouquinho. Mas tudo dentro do mais seguro possível. Se vai no parquinho do condomínimo, por exemplo, leve álcool, uma toalha de papel e higienize os brinquedos. Evite ir quando estiver cheio”,  orienta a pediatra. 

Os pais de uma criança também podem combinar com os pais  de outra criança de se encontrarem em locais abertos, como parques, em horários e em áreas de pouco movimento. Mas sempre evitando grandes grupos e mantendo a criança em contato apenas com  aquele coleguinha. 

Se as duas famílias estiverem cumprindo isolamento, podem reunir as crianças para brincar dentro de casa. Mas mesmo no ambiente familiar, é recomendado que todos usem máscara. 

O infectologista Lauro Ferreira Pinto observa também que, nessa idade, as crianças já estão mais propensas a manifestar saudade dos amigos e da família, mas que o momento pede paciência. Festas de aniversário e visitas de pessoas com as quais não se convive diariamente devem ser evitadas. Ligações ou chamadas de vídeo podem ser uma forma de colocar o assunto em dia.

“Um avô ou uma avó, muitas vezes, não consegue ficar longe da criança, apesar da necessidade. E a gente sabe que tem gente que vai visitar. Mas, se vai fazer isso, use máscara. Isso vale tanto para a criança quanto para os mais velhos. Evite chegar muito perto do rosto também, ficar dando abraços. Se sente que precisa abraçar, abraça a perninha, que não é um local tão arriscado.”

6 ANOS OU MAIS

A partir dessa idade, a comunicação sobre o vírus pode ser direta e já é possível tomar os mesmos cuidados dos adultos. A orientação dos médicos é para que seja feita a higiene constante das mãos com água e sabão ou álcool em gel e que sejam evitadas aglomerações e contato com pessoas, além daquelas com as quais se convive diariamente.

É preciso reforçar constantemente para que a criança tome os cuidados na escola de não tirar a máscara, higienizar  as mãos e evitar encostar nos colegas. Os maiores também devem ser orientados a fazer a higiene, com papel e álcool, das superfícies que estiver em contato, como mesas e cadeiras.  

Em relação aos adolescentes, principalmente, é preciso explicar a necessidade de evitar eventos e festas que possam ocasionar aglomerações. Ao estar com amigos, os adolescentes devem escolher grupos menores, manter o distanciamento entre as pessoas, ficar todo o tempo de máscara e evitar ao máximo contato físico. 

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