Crianças com autismo vão ser liberadas do uso de máscaras na volta às salas de aula

O secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, afirmou ontem (19) que o governo do Estado irá liberar, ainda esta semana, as crianças que possuem o Transtorno do Espectro Autista do uso de máscaras na sala de aula, para volta dos alunos às atividades presenciais.

A partir do próximo dia 26 (segunda-feira), as aulas voltam a ser realizadas com a presença obrigatória dos alunos nas escolas da rede pública, em dias alternados.

A decisão foi anunciada por Nésio ao deputado estadual Bruno Lamas (PSB), que fez o pedido ao secretário após se reunir com representantes do Criança na Escola e da Associação dos Amigos dos Autistas do ES (Amaes), na Assembleia Legislativa, para tratar do assunto.

“O deputado nos trouxe um assunto muito importante, que trata da norma que se refere ao uso das máscaras pelas crianças com autismo. Sem dúvida, as normas sanitárias precisam se adequar à realidade dos pacientes e usuários”, admitiu o secretário.

E emendou: “E o pleito trazido pelo deputado deverá ser atendido com o ajuste das normas vigentes, flexibilizando o uso das máscaras, do Equipamento de Proteção Individual (EPIs), nas crianças que têm algum tipo de comprometimento e, por isso mesmo, dificuldade em seguir essa disciplina.”

De acordo com Nésio, o Estado está avançando muito na vacinação e há uma curva de aprendizagem muito grande sobre aquilo que dá e não dá para flexibilizar nas normas.

“E, sem dúvida alguma, ao longo da semana, teremos uma solução e iremos comunicar às mães e ao deputado da atualização da norma junto à Vigilância em Saúde no Estado”, declarou.

Bruno, que já havia levado o assunto ao secretário de Estado da Educação, Vitor de Angelo, agradeceu o empenho do governo em resolver o problema.

 SÍNDROME

O autismo é uma síndrome caracterizada por problemas na comunicação, na socialização e no comportamento, geralmente diagnosticada entre os 2 e 3 anos de idade.

A declaração de Nésio foi comemorada pela presidente da Amaes, Pollyana Paraguassú.

“Nossa função enquanto instituição é a luta pela defesa e garantia de direitos, como por exemplo o não uso das máscaras para autistas que tenham dificuldades em ficar ou permanecer com elas em uso, até por questão sensorial”, declarou Pollyana.

Já existe a Lei da Máscara, de iniciativa federal, que desobriga pessoas com autismo e deficiências intelectuais do uso do equipamento de segurança, inclusive em ambiente escolar. Mas a norma ainda precisa ser regulamentada no Estado.