O município capixaba entrou em uma fase em que turismo, mercado imobiliário e novos projetos industriais passam a atuar de forma combinada sobre a economia local. O movimento ajuda a explicar por que a cidade voltou ao centro das discussões sobre investimento, crescimento urbano e reorganização produtiva no Espírito Santo.

O avanço não ocorre de forma isolada. Ele se conecta a um cenário estadual que, em 2025, apresentou desempenho acima da média nacional.
O contexto do Espírito Santo
Entre janeiro e setembro de 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo cresceu cerca de 3%, acima dos 2,4% registrados pelo Brasil no mesmo período. Os dados mais recentes do IBGE mostram que o resultado foi puxado, principalmente, pela indústria.

Principais destaques do Estado:
- Crescimento industrial de 8,6%, o maior do país no período de janeiro a outubro de 2025, segundo a FINDES
- Grandes Industrias – Crescimento impulsionado por grandes empresas como Arcelor Mittal, Vale e Suzano
- Agropecuária com papel relevante, especialmente o café
- Espírito Santo como segundo maior produtor de café do Brasil, atrás apenas de Minas Gerais
Esse desempenho reforça a base produtiva capixaba, mas também evidencia um desafio estrutural.
O setor de serviços — fundamental para geração de emprego, arrecadação e dinamização urbana — cresce abaixo do potencial. É nesse ponto que Guarapari assume papel estratégico.
Turismo como vetor econômico
Guarapari é, hoje, o principal destino turístico do Espírito Santo. Durante o verão, o município recebe cerca de 1,5 milhão de turistas, concentrando grande parte do consumo ligado a hospedagem, alimentação, lazer e serviços.

No Carnaval, o perfil do visitante ajuda a entender a dinâmica econômica da cidade:
- Cerca de 60% dos turistas são de Minas Gerais, segundo pesquisa do DataMG/Brand em 2025
Esse dado reforça a posição de Guarapari como elo entre o mercado consumidor mineiro e a economia capixaba. Para entender melhor esse fluxo, saiba mais sobre a pesquisa do DataMG. Contudo cada vez mais turistas de outras regiões e países conhecem a cidade. Como vindos do Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e de países como Argentina.
A relevância do turismo ganha ainda mais peso diante da reforma tributária. Com a transição da tributação da produção para o consumo, estados produtores tendem a perder arrecadação ao longo do tempo. Atividades ligadas ao consumo final — como turismo e serviços — passam a ocupar espaço central na estratégia de desenvolvimento econômico.
Guarapari se encaixa nesse desenho.
Organização do setor e novos projetos
O município iniciou um processo de reorganização da agenda turística. A nova gestão trabalha na construção de um calendário que ultrapassa o verão e distribui eventos ao longo do ano.

Entre as iniciativas em discussão ou implantação estão:
- Festival de Inverno
- Eventos esportivos de alcance nacional e mundial- como a etapa nacional do surfe – veja mais
- Ampliação da agenda cultural fora da alta temporada, como eventos gastronômicos.
O objetivo é reduzir a sazonalidade e aumentar o tempo médio de permanência do visitante. Mais detalhes sobre essa estratégia podem ser acompanhados neste material oficial do município.
Paralelamente, avançam investimentos privados ligados ao turismo e ao lazer:
- Novos hotéis em fase de planejamento e implantação
- Parques temáticos, como o parque dos dinossauros na região serrana de Buenos Aires
- Parques aquáticos em operação
- Atividades ainda pouco exploradas, como experiências de mergulho
O movimento local dialoga com uma tendência mais ampla. Segundo a CVC, o Espírito Santo reúne condições para entrar no Top 10 destinos turísticos do Brasil nos próximos anos. A análise pode ser conferida.
Indústria, logística e um novo fator estrutural
Guarapari não tem hoje o mesmo peso industrial de municípios vizinhos, como Anchieta, onde a Samarco atua como principal motor econômico, com investimentos bilionários previstos para a retomada total de suas operações. Para entender esse cenário regional, fique por dentro dos investimentos da Samarco.

Ainda assim, Guarapari apresenta ativos logísticos relevantes. Projetos em discussão preveem uma nova ferrovia ligando a Vitória-Minas ao norte do Rio de Janeiro, com traçado passando próximo ao município. A conexão amplia o potencial de atração de empreendimentos industriais e de apoio logístico.
Há, porém, um projeto específico que pode alterar de forma mais profunda essa equação.
Está prevista para Guarapari a implantação de uma usina de dessalinização, com investimento estimado em R$ 1 bilhão. O empreendimento deverá ser o maior do país e cria condições estruturais para atividades industriais intensivas em água, reduzindo um dos principais gargalos à atração de novos investimentos.
Mercado imobiliário em expansão
O avanço do turismo e a perspectiva de novos projetos começam a se refletir no mercado imobiliário.
Tradicionalmente associada ao aluguel de temporada — especialmente para mineiros durante Carnaval, Ano Novo e férias escolares — Guarapari mantém demanda aquecida por novos empreendimentos.

Números e movimentos recentes:
- Mais de 3 milhões de metros quadrados previstos em projetos de construção civil
- Lançamento de novos loteamentos e condomínios fechados
- Empreendimento com cerca de 600 lotes em fase de desenvolvimento
Ao mesmo tempo, o município avança na revisão do Plano Diretor, etapa considerada fundamental para organizar o crescimento urbano, dar previsibilidade aos investimentos e reduzir conflitos de uso do solo.
Um movimento específico chama atenção: o avanço do mercado imobiliário de alto padrão.
Se antes predominavam imóveis na faixa de R$ 200 mil, passam a surgir projetos avaliados entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões. Parte dos investidores observa experiências de cidades como Balneário Camboriú, em Santa Catarina, como referência de verticalização, valorização imobiliária e reposicionamento urbano. Sobre esse debate, confira a análise completa.
A grande oportunidade
Guarapari reúne fatores que ajudam a explicar o interesse crescente de investidores:
- Fluxo turístico consolidado
- Proximidade com grandes centros emissores de visitantes
- Projetos de diversificação econômica
- Mercado imobiliário em fase de reorganização
As belezas naturais sempre estiveram presentes. O que muda agora é a forma como o crescimento passa a ser planejado.
A questão central deixa de ser se Guarapari vai crescer. O debate passa a ser como esse crescimento será estruturado — e quem estará posicionado quando as decisões forem tomadas.















