Hacker preso no ES com R$ 7,2 milhões é solto após pagar fiança de R$ 100 mil

Hacker preso no ES com R$ 7,2 milhões é solto após pagar fiança de R$ 100 mil

Manhattan nunca viu nada igual. Nas primeiras horas da manhã de 3 de fevereiro, policiais federais encostaram no prédio que tem o mesmo nome da ilha de Nova York, denominado “o primeiro empreendimento de Cachoeiro de Itapemirim com o estilo de hotel cinco estrelas”, com conta com pub, quadra de squash e beauty center.

Ali no Manhattan Residence, localizado numa das regiões mais nobres de todo o Sul do Espírito Santo, agentes apreenderam a maior quantia em espécie da história da PF no combate a fraudes bancárias: R$ 7,2 milhões, separados em bolos de notas de R$ 100 e R$ 50. Também encontraram 1 kg de ouro em barras.

Sairia algemado dali um programador de 32 anos, que só se sabe que se chama Igor pela abordagem filmada num vídeo da ação policial que vazou na internet. Segundo apurou o jornal Folha de S.Paulo, ele foi solto após pagar uma fiança de R$ 110 mil.

De acordo com informações do jornal, Igor estava sob radar dos federais desde maio de 2015. Naquele mês, deu uma derrapada, por meio da qual a polícia conseguiu detectar o seu nome em transações virtuais criminosas, na Caixa Econômica Federal e no Banco do Brasil.

Para chegar até Igor, os policiais procuraram “bombas”. “Havia surgido, na investigação, a possibilidade de ele estar importando anabolizantes para venda no Brasil, e precisaria de licença da Anvisa para isso”, afirma o delegado regional de Combate ao Crime Organizado no Espírito Santo, Leonardo Rabello. Só por esse crime, se for condenado, ele pode pegar até 15 anos de prisão.

O ESQUEMA

A Gazeta mostrou, no dia em que foi deflagrada pela Polícia Federal a Operação Creeper – nome dado em referência ao primeiro vírus identificado no Brasil –, que Igor é suspeito de encabeçar uma organização criminosa que capturava dados para invadir celulares e computadores e roubar dinheiro de contas bancárias das vítimas. A quadrilha atua pelo menos desde 2015.

De acordo com o delegado, o suspeito é um programador experiente e desenvolveu um malware (espécie de programa utilizado para ataques maliciosos a dispositivos eletrônicos, como um vírus) que era utilizado para phishing, que é um ataque comum, visando o roubo de informações pessoais.

“Existe uma suspeita de que tenha sido o primeiro hacker no Brasil a desenvolver um programa malicioso, o malware, para infectar smartphone e dar acesso remoto ao atacante”, disse Rabello.