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Advogados de Guarapari envolvido com facção criminosa

Quatro advogados estão presos acusados de usar privilégios da profissão para ajudar uma nova facção criminosa do Espírito Santo. A investigação do Ministério Público do Estado (MPES) conseguiu áudios e documentos que mostram que esses advogados eram usados para troca de informações entre os líderes da chamada “Tropa do B.I” que estão presos e integrantes da facção, que estão nas ruas.

Um dos investigados é o advogado Atilho Vieira Bustillos Júnior. Na casa dele, foram encontrados dois celulares no quintal, arremessados pouco antes da chegada dos policiais. Ele é acusado de ser o repassador de recados entre criminosos dentro e fora da cadeia. 

Juntamente com os advogados Chayene Evelyn Carvalho Moraes, Marco Aurélio de Souza Rodrigues e Meiriely Daniel de Souza, Atilho foi preso pelo Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPES, na Operação Luxor.

O objetivo da operação era prender integrantes da Tropa do B.I., referente ao bairro Industrial, em Cariacica. A facção é recente e foi criada em 2021. Os líderes são os irmãos Falcão: Ivan Martins Falcão, vulgo Tete, e Ismael Martins Falcão, também chamado de F3. Os irmãos Falcão comandam a Tropa do B.I. de dentro da Penitenciária Máxima II, em Viana. 

Em um dos áudios, que faz parte das investigações, um traficante da facção faz uma pergunta ao advogado Atilho Bustillos e cita os dois líderes da quadrilha, que confirma que conversou com o suspeito.

Integrante da facção: “Ô doutor, mas o F3, o Edu lá, ele concordou com essa ideia do Ivan, de separar esse negócio aí?”
Atilho Bustillos: “Estava atendendo o Ivan, aí eu atendi ele, depois atendi o Ivan… Foi só o Ivan que escreveu.
..”.

O advogado também fala com outro líder:

Atilho Bustillos: “E aí, meu irmão? Atendi os dois, tá? Estou voltando para Guarapari, estou na estrada. Chegando em casa, eu mando pra você, meu velho”.

Ivan Martins Falcão e Ismael Martins Falcão, os irmãos Falcão

O advogado mandou recados de dentro do presídio para integrantes da Tropa do B.I. do lado de fora. São os chamados “catuques”, mensagens escritas em papel ou digitadas, geralmente, nos celulares dos advogados.

O MPES afirma que alguns advogados, por não passarem na revista rigorosa dos presídios e não terem limites de dias e horários para visitas, usam esse privilégio para um trabalho essencial para as facções: levar recados para a rede fora da cadeia, normalmente, com orientações sobre o tráfico de drogas, contabilidade e comandos para execução de desafetos.

“Presos ou em liberdade, graças a esses advogados, os chefes do crime organizado vêm se mantendo sempre à frente das organizações que compõem, o que viabiliza, concretamente, atos de gestão sobre o tráfico de drogas e sobre o funcionamento da ORCRIM”, diz um trecho da denúncia.

“Nós temos a possibilidade, por força da Lei 8.906/94, que é o Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de nos permitir a ingressarmos nos presídios e nas delegacias. Isso não pode ser distorcido, não pode ser usado como mecanismo de leva e traz, de informação, de comando. Essa distorção é perigosa para a comunidade”, afirma o advogado criminalista Rivelino Amaral.

Advogada cassada foi substituída

Atilho Bustillos substituiu a advogada Chayene Evelyn na linha de frente das comunicações, segundo os promotores. Ela teve a licença da OAB cassada após ser presa em outra operação do Ministério Público. Ela foi acusada por servir de pombo-correio entre faccionados. Antes, para o Primeiro Comando de Vitória. Agora, para a Tropa do B.I.

Chayene: Então, eu tenho que dar a volta nos presídios de novo, né? Nos meninos. Eu ia essa semana, aí eu vou fazer uma reunião com o Serginho, acho que ele vai no escritório na sexta-feira. Aí eu vou deixar pra ir na semana que vem. Aí, se você quiser escrever uma ideia pra geral aí, você escreve.

Serginho, citado por Chayene, é Sérgio Raimundo Soares da Silva Filho, denunciado por envolvimento na facção. Ele estaria abaixo dos irmãos Falcão da hierarquia da Tropa do B.I. Com prisão decretada pela Operação Luxor, ele está foragido.

Também está foragido Marco Aurélio de Souza Rodrigues, advogado que auxilia na comunicação com presos. Em depoimento à polícia, ele admitiu levar mensagens entre membros da facção e que ganhava R$ 100 por recado.

“Era como um mensageiro, um pombo-correio. Até o conteúdo eu não sabia. Eles ditavam para mim, eu imprimia, mandava para eles… eu atendia em uma média de quase cinco por dia, de segunda a sexta nos presídios. Era meu meio de vida. Foi uma forma de sobreviver e ter dinheiro para sobreviver dessa forma”, diz o advogado, em depoimento.