Uma operação da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), resultou na apreensão de aproximadamente 50 toneladas de subprodutos de origem animal em uma empresa localizada na zona rural de Guarapari, na última quarta-feira (06). O estabelecimento operava sem autorização do órgão federal.
A ação teve como objetivo combater o comércio clandestino de produtos de origem animal. De acordo com o titular da Decon, o delegado Eduardo Passamani, a investigação começou após denúncias recebidas durante fiscalizações em abates clandestinos na Grande Vitória.
Segundo as apurações, subprodutos como traqueia, glote, aorta, ligamentos e até o vergalho (órgão genital bovino) estariam sendo encaminhados de forma irregular para a empresa investigada, sem qualquer controle sanitário.
“Esse material não é destinado ao consumo humano e estava sendo transportado e armazenado em condições inadequadas, sem autorização do Ministério da Agricultura”, explicou o delegado.
Ainda conforme Passamani, há indícios de que os produtos eram revendidos para outras empresas clandestinas, que poderiam utilizá-los na fabricação de embutidos destinados ao consumo humano, o que representa risco à saúde pública.
Durante a operação, foram encontrados ossos, sebo e diferentes tipos de miúdos — tanto próprios quanto impróprios para consumo humano. Parte do material também poderia estar sendo destinada à produção de farinha animal, utilizada na fabricação de ração.
As investigações apontam ainda para um possível esquema de exportação clandestina de itens não comestíveis. Produtos como traqueia, aorta e vergalho, embora não sejam consumidos no Brasil, têm alta demanda e valor comercial em países asiáticos.
As autoridades seguem investigando o caso para identificar outros envolvidos e possíveis ramificações do esquema.












