Julgamento foi marcado para os próximos dias 8 e 9 de junho; os dois já foram indiciados pela Polícia Civil por homicídio qualificado e estupro de vulnerável
Quase quatro anos após o crime, os pais de Jorge Teixeira da Silva, de 2 anos, serão julgados pela morte e estupro do filho. O caso aconteceu em julho de 2022, em Vila Velha. Maycon Milagre da Cruz e Jeorgia Karolina Teixeira da Silva vão sentar no banco dos réus nos próximos dias 8 e 9 de junho, conforme apuração do repórter Caíque Verli, da TV Gazeta.
Maycon e Jeorgia foram presos após o menino dar entrada no Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), em Vila Velha, com lesões apontando possíveis torturas e abusos. À época, a mãe dele alegou que o menino estava com pneumonia.
Os pais acabaram indiciados pela polícia por homicídio qualificado e estupro de vulnerável. Relembre, abaixo, o ponto a ponto deste caso:
Mãe alegou pneumonia em filho
Na madrugada de 4 de julho de 2022, Jorge Teixeira da Silva foi levado pela mãe para o Himaba, em Vila Velha. Segundo a Polícia Civil, Jeorgia informou, ao chegar ao local, que a criança estava com pneumonia. Porém, os médicos perceberam que o menino estava com lesões, apontando possíveis torturas e abusos.
Sinais de abusos sexuais
O crime começou a ser apurado quando a polícia tomou conhecimento da morte da criança. A corporação tinha informações sobre sinais de abusos sexuais. O corpo foi levado ao Instituto Médico Legal (IML), com acompanhamento da equipe policial. O objetivo era entender o que causou a morte do menino.
Pais indiferentes à morte
Da chegada ao Himaba até a detenção do casal, a polícia afirmou ter observado que os pais da criança demonstravam indiferença com a morte dela, sem emoções ou tristeza aparentes, apesar da gravidade do caso. Na avaliação de Alan Moreno, à época delegado adjunto da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha, o comportamento causou estranhamento.
Casal não queria filho no DML
Segundo a Polícia Civil, Jeorgia e Maycon apresentaram resistência quando souberam do protocolo de transferência do Himaba, que encaminharia o corpo de Jorge para o IML. Eles tentaram evitar que o corpo fosse levado. A tentativa era que a criança fosse diretamente para uma funerária. O casal teria alegado não ser necessária a autópsia do corpo.
Exame aponta causa da morte
Após a realização de um exame no IML, o médico-legista apontou que o menino havia sido violentado sexualmente e que a causa da morte foi “choque séptico peritonite, decorrente da perfuração do reto e do ânus devido a um trauma contuso anal”. A pneumonia, antes relatada pela mãe, foi descartada pela Polícia Civil.
Possíveis queimaduras por cigarro
Com os exames feitos na Polícia Civil, os médicos apontaram que houve introdução de instrumento contundente na vítima, além de lesões na face, no dorso, no braço e em parte da coxa, que podem ter sido provocadas por cigarro.
Sem explicações à polícia
O descarte da pneumonia e o conhecimento das lesões internas e externas fizeram com que o casal fosse levado a explicar o ocorrido. Jeorgia e Maycon foram conduzidos à DHPP de Vila Velha, onde prestaram depoimento por aproximadamente 12 horas. Em coletiva de imprensa, o delegado Alan Moreno afirmou que eles não souberam dizer o que aconteceu com a criança de domingo para segunda-feira, tendo “apresentado versões lacunosas e imprecisas”.
Troca de mensagens chamou atenção
Durante as investigações, uma troca de mensagens entre os pais chamou a atenção da polícia. Após o alerta feito por médicos sobre a suspeita de abuso, a mãe da criança entrou em contato com o companheiro. “Ela diz assim: ‘O nosso filho foi vítima de um estupro’. O pai responde: ‘Estupro, mas por quê?’, e ela diz que a médica estava falando que ela precisava ir até a delegacia fazer um boletim. O pai fala que isso é normal, que todo hospital faz isso, e pede para a mulher ficar tranquila”, detalhou o delegado Alan Moreno. Após confeccionar o boletim, quando a criança ainda estava viva no hospital, Maycon mandou uma mensagem para a mulher. “Ele fala a seguinte frase: ‘Depois nós temos que sentar e conversar sobre o boletim, pode ser que tenhamos passado alguma coisa despercebida’”, disse o delegado.
Sangue e sêmen nas roupas da criança
A Polícia Civil enviou nota à imprensa informando que exames constataram vestígios de sêmen e sangue nas roupas de Jorge. O delegado Alan Moreno afirmou que ainda não era possível dizer a quem pertenciam o sangue e o sêmen encontrados. Segundo ele, o material genético foi localizado em uma roupa que estava dentro da casa e que não necessariamente havia sido usada pela criança no dia da morte. Devido a essa dúvida, a Polícia Civil informou que solicitaria que o pai realizasse os exames, para comparação genética, mas o homem se recusou.
Em nota, a defesa de Jeorgia informou que a acusada e os familiares aguardam a conclusão definitiva do processo, “confiantes de que os fatos serão analisados pelos jurados com imparcialidade e com base exclusivamente nas provas produzidas nos autos. A defesa espera que o julgamento seja realizado na data prevista, sem novos adiamentos, permitindo o pleno esclarecimento dos fatos perante o Conselho de Sentença”.
Os advogados Carlos Bermudes e Lucas Kaiser Costa completaram dizendo que reiteram o compromisso com a Justiça, com o devido processo legal e com a busca da verdade, “certos de que o júri é o espaço constitucional adequado para a apreciação deste caso”.
Fonte: A Gazeta















