Prefeito troca vereadores por líderes comunitários e perde governabilidade

A mudança de estratégia do prefeito Alencar Marim (PT), que passou a adotar as táticas de seu partido e a substituir a representação popular dos vereadores para líderes comunitários ligados a ele, estão levando o Executivo de Barra de São Francisco a perder a base de sustentação e as condições de governabilidade na Câmara Municipal. Dos 13 vereadores, somente dois ainda mantêm apoio a Marim.
Os problemas se agravaram nos últimos dias, quando vereadores passaram a travar a agenda do prefeito na Câmara e a emperrar a continuidade de obras, algumas com repasses de recursos de outras fontes, mas cuja aplicação depende de o Legislativo aprovar a suplementação orçamentária – isso ocorre quando, mesmo com dinheiro em caixa, o Executivo somente pode utilizá-lo quando ele é previsto na lei orçamentária. Se não está previsto, a Câmara precisa autorizar a movimentação.
A obra mais atingida no momento é a pavimentação da avenida Carlos Valli, que foram retomadas no final do mês passado e, de acordo com o site O Contestado, estão paralisadas novamente. O motivo agora é o pedido de vistas feito pelo vereador Huander Cleidy, o Bofe, ao projeto lei 018/19, de autoria do Executivo Municipal, pedindo autorização para abertura de crédito suplementar (remanejamento) de recursos, que permitiriam o pagamento à empreiteira.
A alegação do vereador é de que precisa de mais tempo para “analisar” o projeto. A estratégia vem sendo utilizada pela Comissão de Justiça, Legislação e Redação para retardar a aprovação de projetos de interesse da comunidade.
A dificuldade política de Alencar está sendo vista por observadores políticos como uma antecipação do processo eleitoral de 2020, quando Marim é candidato natural à reeleição. Seus movimentos políticos estão sendo vistos pelos vereadores como uma manobra para ganhar cabos eleitorais no interior.
Isto teria ficado evidente quando ele chamou o secretário de Agricultura, Valmir Saar, que é do PSB, e condicionou sua continuidade no cargo à garantia de apoio para 2020. Do contrário, “vou precisar do cargo”. Foi essa convocação que colocou contra o prefeito o vereador Bofe (PSB), levando-o a travar a pauta do Executivo na Câmara.
Mais dois vereadores estão insatisfeitos com as recentes atitudes do prefeito: Joncicle Honório (PMDB), o Cabo Johnson, e Ademar Antonio Vieira (PSD), o Alemão Vitorino, que são do interior. Os dois conseguiram emendas parlamentares ao orçamento estadual para comprar máquinas destinadas às suas bases eleitorais, Monte Sinai e Paulista, respectivamente.
Mas os dois legisladores sentiram-se “golpeados” quando o prefeito retirou as máquinas do controle deles e passou para presidentes de Associações de Moradores ligados ao PT. Com isso, Johnson e Alemão retiraram o apoio à gestão de Alencar, que passou a contar apenas com os dois vereadores eleitos pelo PT: Zilma Matos e José Valdeci de Souza.

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