‘Sensação de impotência. Não consegui ajudar meu próprio pai’, diz PM, filho de taxista morto em porta-malas de carro após assalto

‘Sensação de impotência. Não consegui ajudar meu próprio pai’, diz PM, filho de taxista morto em porta-malas de carro após assalto

O taxista de 75 anos que morreu trancado dentro de porta-malas do próprio carro após ser assaltado mantinha a mesma rotina trabalhando há 35 anos. José Herculano Marques trabalhava em uma praça do bairro Itacibá, em Cariacica, na Grande Vitória. Ao ver a situação que o pai passou, o filho, que é sargento da Polícia Militar disse ao g1 que se sentiu impotente.


Por ser policial, Vinícius disse que já trabalhou em inúmeras ocorrências de sequestro e assalto a taxistas e motoristas de aplicativo. Ao ver a situação que o pai passou, o filho disse que se sentiu impotente.

“Já tive inúmeras ocorrências de resgatar motorista de aplicativo. A sensação foi de bastante impotência, saber que ao longo da minha carreira eu já consegui ajudar tanta gente, mas não consegui ajudar o meu próprio pai”.


Angústia da família no dia do desaparecimento

Nesta segunda-feira (11) o filho da vítima, Flávio Vinícius, contou que a família logo percebeu uma mudança na rotina de José e começaram a procurar por ele no dia do crime.

Ele mora bem perto do ponto em que trabalhava. Trabalhava de segunda a segunda e sempre ia para a praça por volta de 5h30. Depois às 11h vinha almoçar e voltava 13h e ficava na praça até as 17h30. Quando ele não apareceu para almoçar nem voltou para casa já estranhamos”, contou Flávio.

O taxista morava com a mulher e uma filha, que logo fizeram contato com Vinícius, que trabalha como sargento da Polícia Militar há 28 anos.

“Minha mãe me ligou dizendo que estava preocupada com o papai. Então eu consegui localizar onde o carro estava e as forças de segurança foram acionadas, mas ele só foi encontrado na manhã de domingo”, explicou Vinícius.

Alegria de ser taxista

José Herculano Marques tinha 75 anos e trabalhava como taxista há 35 em Cariacica, Espírito Santo — Foto: Acervo pessoal

José Herculano Marques tinha 75 anos e trabalhava como taxista há 35 em Cariacica, Espírito Santo — Foto: Acervo pessoal

Vinícius contou que o pai amava trabalhar como taxista por todos esses anos e que era muito conhecido no bairro.

“A alegria do papai era poder ir para a praça trabalhar como taxista. Pegar o carro dele, lavar e ir trabalhar. Quase 40 anos de profissão e ele nunca tirou um dia de folga, trabalhava de segunda a segunda”, comentou.

Taxi foi encontrado abandonado às margens de uma ferrovia no Espírito Santo com o corpo do taxista dentro do porta-malas — Foto: Paulo Ricardo Sobral/TV Gazeta

Taxi foi encontrado abandonado às margens de uma ferrovia no Espírito Santo com o corpo do taxista dentro do porta-malas — Foto: Paulo Ricardo Sobral/TV Gazeta

José deixa uma mulher e dois filhos. O enterro do taxista será realizado nesta segunda-feira (11) às 14h no cemitério Jardim da Saudade, em Cariacica, Grande Vitória. Agora, para a família, restam as lembranças.

“Ele acabou falecendo fazendo aquilo que amava fazer. Ele era uma pessoa muito humilde, tranquila, sempre ficava na praça, colocava comida para os cachorros de rua. A vida dele foi trabalhar”, desabafou o filho.

Relembre o caso

Polícia realiza perícia em táxi que foi encontrado com corpo do taxista dentro de porta-malas na Serra, Espírito Santo — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Polícia realiza perícia em táxi que foi encontrado com corpo do taxista dentro de porta-malas na Serra, Espírito Santo — Foto: Reprodução/TV Gazeta

O carro de José foi encontrado às margens de uma ferrovia que fica na Serra, Grande Vitória, na manhã de domingo (10).

A polícia informou que a vítima foi trancada no porta-malas pelos suspeitos e não conseguiu sair depois e morreu asfixiada.

De acordo com a polícia, dois homens renderam e assaltaram José e depois trancaram o taxista no porta-malas para conseguir fugir, acreditando que ele iria conseguir sair depois. Mas isso não aconteceu, e o homem acabou morrendo asfixiado.

O corpo da vítima não apresentava sinais de violência, o que reforça a suspeita de que ele teve dificuldades para respirar e sair do porta-malas.

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