Após se curarem da Covid-19, pacientes no ES têm perda de memória

Com os primeiros registros oficiais em dezembro de 2019, na China, a Covid-19 é considerada uma doença nova não só para a população, mas também para a classe médica e  para os cientistas. Os resultados de pesquisas sobre os efeitos do novo coronavírus no corpo surgem paralelamente aos números crescentes de pessoas curadas e de mortos pela enfermidade.

Entre os que sobrevivem à doença, há os que precisam continuar tratando outros problemas de saúde provocados pelo novo vírus. Segundo médicos que acompanham pacientes no Espírito Santo, o quadro clínico varia muito de pessoa para pessoa, mas algumas sequelas costumas ser mais frequentes em pacientes que sobreviveram ao estágio mais grave da doença.

As principais são: doenças crônicas no coração e no pulmão, insuficiência renal, falta de olfato, alteração de humor e perda de memória e da força muscular, sendo que algumas sequelas da Covid-19 são passageiras, enquanto outras podem perdurar ao longo dos anos. 

Segundo os médicos, o  órgão mais afetado é o pulmão. “Entre 20% e 30% dos infectados que ficam entubados precisam de oxigênio domiciliar por  causa da fibrose pulmonar, uma doença que reduz a expansão do pulmão e que pode trazer impacto para as pessoas no dia a dia”, explicou Enrico Stucchi, diretor-técnico do Hospital Evangélico de Vila Velha.

Stucchi afima que o coronavírus provoca o que a classe médica chama de “tempestade inflamatória”,  que é a inflamação de vários órgãos do corpo ao mesmo tempo.  

Uma dessas sequelas é a miocardite, que é inflamação do músculo do coração, responsável pela contração do órgão. A doença provocada pelo coronavírus pode prejudicar a ação de bombeamento do sangue, provocando arritmias e insuficiência cardíaca.

 “Não tem como prevenir esse quadro quando o estado de saúde do paciente é grave.  Após a cura da Covid, a doença que fica pode ser resolvida com tratamentos, mas também pode ser  irreversível, podendo perdurar pelo resto da vida”, explicou Fernanda.

Kátia Fonseca, que integra a Sociedade Brasileira de Cardiologia, chama a atenção para pacientes internados por coronavírus  que tiveram infarto e nem sequer pertenciam aos grupos de risco.  “Quando investigamos, percebemos que não são gorduras nas artérias, mas sim o processo inflamatório da Covid-19, que provocou coágulos no sangue e impediu o bombeamento do coração”, contou.  

A cardiologista também tem encontrado casos de arritmia em quem já teve a Covid. “Isso pode ser passageiro, como também pode precisar de medicamento dia após dia, por causa da falta de ar. Por isso, para quem já tinha problemas cardíacos, os riscos de complicações são maiores , explica. 

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