No vermelho: famílias endividadas ‘deixam de almoçar para pagar a janta’

No vermelho: famílias endividadas ‘deixam de almoçar para pagar a janta’
  • – Pelo menos 3 em 4 famílias estão inadimplentes, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo;
  • – Principal vilão do endividamento ainda é o cartão de crédito;
  • – Dívidas não pagas de contas básicas de água e luz foram as que mais aumentaram em abril deste ano.

Cartões de crédito em atraso, aluguel e contas básicas vencidas: essa é a realidade dos brasileiros diante da alta da inflação no país. A diarista Darlen da Cunha, de 38 anos, já enumera suas dívidas sem perspectiva de quitar parte delas.

“Fui ao mercado ontem com 150,00 e nem consegui comprar o mínimo. Sou mãe e tive que escolher o que trazer do mercado para meus filhos. Meus cartões (de crédito) estão todos em atraso, pois tenho que escolher qual pagar para não ficar sem ter como comprar as coisas de casa”, desabafa. Moradora da Zona Norte do Rio de Janeiro, Darlen cuida de 4 filhos em casa, um deles com apenas 15 dias de vida.

A situação financeira de Darlen já é um padrão. Uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revelou um novo recorde no endividamento das famílias brasileiras: o Brasil tem o maior percentual de famílias endividadas desde o início da série histórica, em janeiro de 2010. Para pagar dívidas, os brasileiros já se veem com mais de 50% da renda comprometida. Pelo menos 3 em 4 famílias estão inadimplentes.

A CNC aponta que 21,5% das famílias chegaram ao fim do quadrimestre entre janeiro e abril com mais de 50% da renda comprometida com o pagamento de dívidas, o maior percentual desde janeiro de 2021.

“Com orçamentos pressionados pela inflação persistentemente alta e (média de) 30,2% da renda comprometida com o pagamento de dívidas, a proporção de famílias com contas/dívidas atrasadas teve o maior incremento mensal desde março de 2020. Endividamento segue apontando alta”, apontou a pesquisa.

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